O discipulado cristão e as polarizações.

Rev. Leonardo Gomes (I.P. Rio Pomba) 

“[…] Mateus, o publicano […]; Simão, o zelote […]” (Mt 10.3,4)

É inegável que vivemos dias de grandes polarizações! O passionalismo, tão característico entre os brasileiros, tem resultado em uma relação de “amor ou ódio” com os posicionamentos atuais, frente às várias demandas, e uma delas é a política. Lamentavelmente, vemos muitos crentes que permitem que tais polarizações interfiram, de maneira indevida, em suas relações. Hoje em dia, vemos crentes que se agridem nas redes sociais motivados por suas polarizações, cujo o único objetivo é demonstrar quem tem a razão.

Quando olhamos para a Palavra de Deus, percebemos que tais polarizações não são características apenas dos nossos dias. No tempo em que nosso Salvador se encarnou, a Judeia era permeada pelas polarizações. Haviam aqueles que criam na ressurreição e aqueles que a achavam uma grande bobagem (Mt 22.23). Do mesmo modo, alguns eram revoltados contra Roma – império dominante da Judeia naquele tempo – e aqueles que até mesmo se davam ao serviço de Roma.

O fato curioso disso tudo é que Jesus, ao eleger “os doze”, chamou para esse círculo íntimo de liderança dois homens em lados extremamente opostos na polarização política. Mateus – o qual faz questão de afirmar sua procedência em seu próprio relato da eleição dos apóstolos (Mt 10.3) – era um publicano. O motivo dos publicanos serem odiados é que eles “se prestavam ao serviço de Roma”, sendo os responsáveis pela coleta dos impostos – e, muitas vezes, extorquindo o seu próprio povo.

Por outro lado, no registro do publicano Mateus, temos a informação de que Jesus também elegeu para o apostolado um tal de “Simão, o zelote” (Mt 10.4). MacArthur observa: “Os zelotes eram um partido político ilegal que levava ao extremo seu ódio contra Roma e conspirava para depor o governo romano”¹. É admirável como Cristo foi capaz de unir dois homens em extremos opostos, para comporem com os demais o corpo apostólico. Não atoa o próprio Cristo orou por seus discípulos: “[…] para que sejam um […] a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste […] (Jo 17.22,23).

Que possamos entender, de uma vez por todas, que aquilo que nos une é mais poderoso do que nossas polarizações, e que as mesmas não dificultem nossa unidade. Além disso, que tenhamos a consciência de que nossa última esperança está nos céus e que avaliemos nossos posicionamentos à luz das Escrituras sempre!

¹ MACARTHUR, John. Doze homens comuns. 2011. p. 43.

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